ARTIGO - Educação inclusiva: o dever de transformar

Confira o artigo do vereador Dr. Cláudio Dusik (MDB), publicado no dia 09 de maio, no Correio do Povo

Há temas que não podem ser tratados com neutralidade. A educação inclusiva é um deles: é quando o direito de aprender encontra o dever de transformar. Não se trata de opinião, mas de direito humano fundamental. E direitos se garantem.

Falo não apenas como pesquisador ou gestor público, mas como alguém cuja própria trajetória foi atravessada pelas barreiras e pelas possibilidades da inclusão. Aprendi que a deficiência não é o maior obstáculo; o maior obstáculo é a ausência de estrutura, compromisso e humanidade nas decisões que organizam a escola e a sociedade.

A educação especial, na perspectiva inclusiva, exige três pilares: estrutura; compromisso legal e responsabilidade com o conhecimento; e gestão orientada pela dignidade humana.

Quanto à estrutura, o direito precisa de chão. Não há inclusão sem condições concretas. Não basta boa vontade. É necessário atendimento educacional especializado na própria escola, materiais adaptados, tecnologias assistivas, acessibilidade, profissionais de apoio, planos educacionais individualizados e equipes multidisciplinares integradas. O caminho até a escola também é escola. Sem transporte acessível, sem condições urbanas adequadas, o direito já é violado antes da sala de aula. O percurso educa ou exclui.

Quanto ao compromisso legal e com o conhecimento, há algo ainda mais profundo: o compromisso ético com o conhecimento. E exige formação contínua. A sociedade é diversa e ensinar requer preparo. Quem não busca compreender as necessidades dos alunos não enfrenta um limite técnico, mas uma inadequação de perfil.

Quanto à gestão pública e gestão escolar, a inclusão resulta de decisões políticas, administrativas e pedagógicas. Não se resume a metas formais, mas à construção de uma cultura baseada na dignidade, cidadania e valorização da diversidade. Incluir não é adaptar o aluno à escola; é transformar a escola para todos.

Há uma falácia perigosa: culpar a deficiência pelo fracasso da inclusão. Isso é distorção técnica e ecoa uma lógica excludente. A inclusão não falha por causa da deficiência, mas pela falta de estrutura, gestão e compromisso.

A escola inclusiva é um marco civilizatório. Não é favor, é direito, é dever.